OS SANTOS INOCENTES
1. "Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos" (Mateus 2,16).
Eis a descrição feita pelo evangelista São Mateus, daquilo que aconteceu um pouco depois do nascimento de Jesus, com os meninos de Belém e cercanias: foram mortos cruelmente a mando do rei Herodes, que buscava assim, suprimir a vida do Menino Jesus.
Estas crianças, veneradas pela Igreja como OS SANTOS INOCENTES, mesmo sem ter a capacidade de entender e falar, receberam a graça de derramar o próprio sangue por Jesus, seu Salvador, que, por elas, um dia derramaria o seu próprio Sangue sobre a Cruz.
Numa das orações da missa da festa dos Santos Inocentes, a Igreja ora:
"Ó Deus, hoje os Santos Inocentes proclamaram vossa glória, não por palavras, mas pela própria morte; dai-nos também testemunhar com a nossa vida o que os nossos lábios professam".
Os meninos massacrados por Heródes ensinam-nos o compromisso existencial com Jesus, compromisso não só verbal, com palavras, mas com a totalidade do ser e da vida, até, se preciso for, ao derramamento de sangue.
2. "...: 'Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar" (Mateus 2, 13).
São as palavras dirigidas pelo anjo do Senhor em sonhos a São José, avisando-o sobre os perigos que pairavam sobre o Menino Jesus e, sobre as providências a serem tomadas para evitá-los.
Desde a mais tenra idade o Filho de Deus feito homem teve de enfrentar a rejeição e a perseguição da parte de quem não o aceitava.
E, desde então, aqueles que o seguem, que professam a sua Verdade, que anunciam o seu nome, que o testemunham no mundo, compartilham, também, do cálice amargo bebido até a ultima gota pelo Divino Mestre.
Ele nos ensinou a fidelidade a Deus até o fim, custe o que custar e, nos concede a graça de, apesar da nossa fraqueza, podermos ser-lhe fiéis, mesmo sofrendo contradições e tribulações no corpo e na alma.
Antes de sua ascensão Ele disse aos discípulos:
"mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo" (Atos 1,8).
O seu Espírito em nós é garantia de fortaleza.
Os Santos Inocentes e todos os mártires do Senhor em todos os tempos, são garantia e estímulo de que é possível viver e morrer por Ele.
3. "Não matarás" (Deuteronômio 5,17).
A Lei de Deus é clara e categórica ao ordenar o respeito pela vida humana e ao proibir atentados contra ela.
O massacre dos Santos Inocentes foi uma gravíssima violação deste mandamento do Senhor por parte de Herodes e daqueles que o obedeceram.
Porém, ao longo da História (e também nos nossos dias), a mão homicida do homem contra o homem continua levantando-se implacável.
Como não pensar com pesar nos milhões de abortos cometidos todos os anos?
E na violência galopante que ceifa tantas vidas nas cidades e no campo?
E no terrorismo destruidor que mata até em grande escala?
É preciso redescobrir com urgência toda a verdade destas palavras do Senhor:
NÃO MATARÁS!
É preciso conscientizar-nos de que:
"Toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte, é sagrada porque a pessoa humana foi querida por si mesma à imagem e à semelhança do Deus vivo e santo" (Catecismo da Igreja Católica, n° 2319).
Que os Santos Inocentes nos ajudem amar e a respeitar a vida!
SANTOS INOCENTES, ROGAI POR NÓS!
Pe. Denis Oldack, OSJ
