O TEMPO DA MISERICÓRDIA
"Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade de vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade" (Sl 50,3).
No Salmo 50, o salmista coloca-se diante de Deus numa atitude humilde de reconhecimento do próprio pecado e de arrependimento por tê-lo cometido, implorando a clêmencia do Senhor cuja misericórdia é imensa.
Trata-se, portanto, do salmo penitencial por excelência, que exprime, de modo admirável a dor do pecado arrependido e sua confiança no perdão de Deus.
Todos somos pecadores, "mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos!" (Ef 2,4-5).
Deus tem misericórdia de nós.
Ele está sempre disposto a nos perdoar, a nos dar uma nova oportunidade.
Da nossa porta, Ele espera o arrependimento.
Arrependimento humilde, arrependimento sincero, arrependimento confiante, arrependimento que nos leva a buscar não mais pecar, com a ajuda da graça do Senhor, Deus, na sua misericórdia infinita nos concede tempo útil e própício para a nossa conversão, e, o Ano Santo, o Ano Jubilar que nós estamos vivendo, é um tempo extremamente favorável para buscarmos a Deus e todo o nosso coração, renunciando, morrendo ao pecado para vivermos para Deus.
De fato, conforme as disposições para a aquisição jubilar, o espírito penitencial é a alma do Jubileu.
Um modo magnífico de exercitá-lo ao longo do Ano Santo é a busca assídua do Sacramento da Reconciliação, também chamado de confissão.
Através deste sacramento, os fiéis podem fazer a maravilhosa experiência do retorno à casa paterna feita pelo filho pródigo da parábola contada por Jesus (cf. Lc 15,11-32), que loucamente tinha saído de casa, vivido dissolutamente, caído em extrema miséria e, reconhecendo o seu desatino, voltou ao seu pai que o recebeu com compaixão, abraço, beijo, roupa nova, anel e calçado, e uma grande festa por tê-lo recobrado.
Diz o Papa:
"Neste ano jubilar, ninguém queira excluir-se do abraço do Pai" (João Paulo II - Bula Pntíficia Incarnationis Myesterium, nº 11, parágrafo 7 - Ed. Loyola, São Paulo, 1998).
Sendo que o grande apelo de Jesus à conversão (cf. Mc 1,15) ressoa fortemente no Ano Jubilar, sendo que somos convidados a abandonar a tristeza do pecado e a alegrar-mos em Deus (cf. Fl 4,4), sendo que os braços misericordiosos de Deus estão abertos para acolher com amor o pecador arrependido, resta-nos apenas deixarmo-nos vencer pela graça e larmo-nos na Misericórdia do Senhor.
"Possa um dos frutos do grande Jubileu do ano 2000 ser o regresso generalizado dos fiéis cristãos à prática sacramental da Confissão" (Do discurso do Papa João Paulo II aos bispos da Conferência Episcopal Portuguesa em 30/11/1999 - Jornal L'osservatore Romano de 4/12/1999).
"..., um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não hareis de desprezar" (Sl 50,10).
Pe. Denis Oldack, OSJ
Fonte:www.asj.org.br
