A CONSTÂNCIA DOS SANTOS
"Aqui é preciso a perseverança e a fidelidade dos santos" (Ap 13,10 c).
"Aqui é preciso a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Ap 14,12).
Sem pretender fazer aqui aprofundamentos científicos sobre os versículos acima citados e sobre o contexto bíblico no qual estão inseridos, gostaria somente de chamar a atenção para algo ao qual fazem referência: a constância dos santos!
Segundo o dicionário, constância significa perseverança, persistência, coragem, firmeza de ânimo.
Tudo isto opõe-se à volubilidade que é inconstância, instabilidade.
Constância, perseverança, fidelidade dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.
Ao pensar nisto dentro da celebração do Grande Jubileu do ano 2000, a minha atenção volta-se admirada e espontânea para a imensa multidão de homens e mulheres que ao longo destes 2000 anos de Cristianismo viveram (e vivem...) esta constância na própria adesão a Cristo, ao Seu Evangelho, à Sua Igreja, não raro com o derramamento do próprio sangue, deixando-nos um luminoso testemunho de heroísmo cristão.
Muitos destes nos são desconhecidos (no céu os conheceremos!).
Outros tiveram a sua santidade reconhecida oficialmente pela Igreja e foram elevados às honras dos altares.
Todos eles são para nós desafio, encorajamento e estímulo para trilharmos o caminho da santidade.
Desafio à nossa consciência que, ao considerá-los, deve sentir-se questionada sobre a autenticidade da nossa vida cristã em vista de uma perfeição maior.
Encorajamento e estímulo para que nós, que vivemos num mundo penetrado por um neo-paganismo e somos tão frágeis, não desistamos da santa teimosia de pensar e agir diferentemente da mentalidade atual, quando isto significar perseverança no guardar os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.
Mesmo que isto nos custe sofrimento e perseguição.
"Aqui é preciso a perseverança e a fidelidade dos santos" (Ap 13,10 c).
"A história da Igreja é uma história de santidade" (João Paulo II - Bula Incarnationis Mysteryum, nº 11, Parágrafo 4 - Ed. Loyola, São Paulo, Brasil, 1998).
Magnífica esta afirmação do Papa.
Não nos faltam na História exemplos de pessoas que, nas mais diversas épocas, locais e circunstâncias provaram com a vida que é possível, antes, necessário, com a Graça de Deus, lutar e vencer o mal, o pecado, o demônio, e viver o Evangelho, viver na Graça de Deus, ser santo.
Porém, não podemos parar na leitura da linda página que cada um destes escreveu na História.
Precisamos nos dispor a escrever também a nossa.
Suscitar o anseio de santidade está dentro do objetivo prioritário do Grande Jubileu, conforme escreveu o Papa na Carta Apostólica Tertio Millenio Adveniente , nº 42.
Ponderemos as palavras finais do Santo Padre na Homilia de Beatificação (a 1ª do Ano Santo) de 44 mártires (dentre os quais 30 brasileiros!): "Não tenhais medo" (Mt 10,31).
Este é o convite de Cristo.
Esta é também a exortação dos novos Beatos, que permaneceram firmes no seu amor a Deus e aos irmãos inclusive no meio das provas.
O convite apresenta-se-nos como um encorajamento no Ano jubilar, tempo de conversão e de profunda renovação espiritual.
Não nos atemorizem as provações e as dificuldades; não nos desanimem os obstáculos ao fazermos opções corajosas e coerentes com o Evangelho!
O que podemos temer, se Cristo está conosco?
Por que duvidar, se permanecemos ao lado de Cristo e assumimos o compromisso e a responsabilidade de ser seus discípulos?
A celebração do Jubileu nos consolide nesta decidida vontade de seguir o Evangelho.
Os novos Beatos servem-nos de exemplo e oferecem-nos a sua ajuda.
(Da Homilia de João Paulo II em 05/03/2000, L'Osservatore Romano de 11/03/2000).
Pe. Denis Oldack, OSJ
Fonte:www.asj.org.br
