AS PRIMEIRAS COMUNIDADES


Frente aos grandes desafios que o novo milênio nos apresenta é importante olharmos o exemplo das primeiras comunidades cristãs.


O jeito de viver daquelas comunidades poderá aumentar nossa esperança e nos dar pistas para enfrentarmos com mais ousadia os atuais desafios.

Seguindo o livro dos Atos dos Apóstolos vamos analisar dois textos fundamentais que revelam o modo de ser e viver das primeiras comunidades: At 2,42-47 e At 4,32-37.

Conforme os textos em referência, podemos perceber as seguintes características das primeiras comunidades:

- Perseverantes ao ensinamento dos apóstolos: a convivência com Jesus levou os apóstolos a aprenderem o seu jeito de ser e viver.


Eles aprenderam do coração d’Ele.

Assimilaram suas palavras, seu modo de comunicar-se e relacionar-se com o Pai e com as pessoas.

Aprenderam com Ele a dar preferência aos mais necessitados, a ser fiel ao projeto do Pai.

Os apóstolos ensinavam às comunidades o que aprenderam da convivência com o Mestre.

O bonito é que as comunidades perseveravam fiéis a estes ensinamentos (cf. At 2,42) e “com grande energia davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (At 4,33).

- Perseverantes à comunhão fraterna:


“Todos os que abraçaram a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam as suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada um” (At 2,44-45).

A perseverança na comunhão fraterna aumentava a unidade entre os membros da comunidade:

“A multidão dos fiéis tinha uma só alma e um só coração. Não chamavam de própria nenhuma de suas posses; ao contrário, tinham tudo em comum” (At 4,32).

Além da unidade, a comunhão fraterna suprimia as carências da comunidade:

“Não havia indigentes entre eles... A cada um era repartido segundo as sua necessidade” (At 4,34-35).

De fato, a solidariedade era uma prática constante na vida das primeiras comunidades.

- Perseverantes à fração do pão:

“De comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade: partiam o pão em casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46).

Este texto é um testemunho explícito da partilha do pão, na vida dos primeiros cristãos.

A partilha ou “fração do pão” era realizada nas casas com alegria e simplicidade.

Alegria e simplicidade são características comuns às pessoas que vivem sua fé com fidelidade.

Esta partilha ou “fração do pão”, realizada nas casas, constituía-se numa celebração nova e específica: a Eucaristia.

Portanto, é importante ressaltar que a celebração eucarística, na vida das primeiras comunidades cristãs, acontecia nas casas de família e era uma prática constante.

- Perseverantes na oração:
a oração é, também, um elemento fundamental na vida dos primeiros cristãos:

“De comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade...” (At 2,46a).

Frequentar o Templo era uma prática dos fiéis que buscavam fazer suas orações.

Uma das práticas de oração muito comum e aceita pelo povo era o louvor:

“Louvavam a Deus e eram favoravelmente aceitos por todo o povo” (At 2,47a).

- Atrair outras pessoas:
a perseverança no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão (eucaristia) e na oração, atraiam outras pessoas para a comunidade:

“E o Senhor ajuntava cada dia à comunidade os que encontravam a salvação” (At 2,47b).

Indubitavelmente o testemunho comove o coração humano e o arrasta para a conversão.

Um exemplo muito comum é caso de Barnabé, que ao ver a solidariedade e a comunhão de vida entre os primeiros cristãos, ele vende o campo que possuía e coloca o dinheiro em comum (cf. At 4,36-37).

Vendo o exemplo das primeiras comunidades é oportuno nos interrogar:

- nossas comunidades ou grupos são fiéis ao Evangelho e à doutrina da nossa mãe Igreja?

- como é a prática da solidariedade e da comunhão fraterna em nossas comunidades ou grupos?

- qual é a freqüência com que os cristãos de hoje buscam participar da eucaristia?

- como está nossa vida de oração? Somos capazes de agradecer e louvar a Deus?

- o jeito de ser e viver de nossas comunidades ou grupos está arrastando outras pessoas?

Por: Pe. Denílson Aparecido Rossi, imd


Fonte: www.presbiteros.com.br