O MAIOR DOS AMORES...
A encíclica "Deus é amor", do Papa Bento XVI, é um documento breve e denso, muito embora, para nós teólogos pés descalços e pés de chinelo de dedo, não seja fácil compreender tudo o que o Papa diz no documento.
Ele é filósofo, teólogo e nunca devemos esquecer que é, também, de origem alemã, que e nunca os alemães foram fáceis de se compreender.
Nem Santa Edith Stein.
Às vezes é necessário ler o pensamento algumas vezes.
O Papa inicia com uma constatação que não se pode negar:
"O termo 'amor' tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes. Embora o tema desta Encíclica se concentre sobre a questão da compreensão e da prática do amor na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, não podemos prescindir pura e simplesmente do significado que esta palavra tem nas várias culturas e na linguagem atual" ( n.2).
Não é necessário fazer muitas pesquisas para ver que todos falam de amor, mas pouco sabem sobre o que seja verdadeiramente o amor.
Santa Teresa de Ávila, com muito acerto, diz:
"o nosso mal é que provavelmente não sabemos o que seja amar".
É só ligar o rádio, principalmente numa FM, onde tem muitas canções, para percebermos que a palavra amor é usada e abusada em todos os sentidos.
Até nas canções carnavalescas não falta a palavra amor.
O amor na verdade está sendo vendido nos botequins da esquina e nas bancas de jornal, onde o amor humano, tão bonito e profundo, não é outra coisa senão mercadoria exposta para despertar os sentimentos e os instintos mais animalescos do ser humano.
O nosso relacionamento como pessoa sempre deve ser protegido por um certo pudor e modéstia.
O Papa, portanto, enfrenta um dos problemas mais urgentes da sociedade de hoje: ajudar os homens a não se deixarem enganar por uma propaganda de "amor", que não leva a nada e que deixa no coração uma amargura muito grande.
O Papa também nos recorda que a palavra amor tem milhares de sentidos, dependendo de como é usada:
"fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus" (n. 2).
Entre todos os amores, diz o Papa e com acerto, o maior amor é o amor entre o homem e a mulher.
Um amor tão grande, capaz de gerar vida e de fazer dos homens e das mulheres cooperadores diretos de Deus na continuação da espécie humana.
Nada é maior e mais belo do que isso.
É o ápice do amor que deve ser amado, respeitado e guardado com todo zelo para que não seja profanado.
por: Frei Patrício Sciadini, OCD
Fonte:www.asj.org.br
