O DIA DO PERDÃO


“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade” (1 Jo 1,8-9).

Como não reconhecermos nesta palavra do Senhor um verdadeiro convite ao humilde e confiante reconhecimento das nossas culpas, faltas e pecados, para experimentarmos o perdão de Deus?

O Perdão!

Certamente este é um dos mais belos e mais importantes elementos do Grande Jubileu do Ano 2000.

Tão importante que, na celebração do Ano Santo, o dia 12 de março de 2000, 1º Domingo da Quaresma, foi dedicado ao reconhecimento dos pecados cometidos por todos os que crêem, com o consequente pedido de perdão.

Neste dia histórico chamado de o Dia do Perdão, toda a Igreja, unida ao Sucessor do Apóstolo São Pedro, o Papa, e por ele representada, ajoelhou-se diante de Deus que perdoa os pecados e purifica de toda iniquidade (cf. 1Jo 8,9) para implorar o dom da Divina Misericórdia.

O Ano Santo está incrustrado entre o fim de um tempo e o início de um novo tempo.

Com ele encerra-se o segundo milênio e inicia-se o terceiro milênio da Era Cristã.

Ele é, pois, um grande momento para uma profunda reflexão que tem duas direções: para trás e para frente.

Para trás, num sério e sereno exame de consciência sobre os nossos pensamentos, nossas atitudes, nossa conduta, nossa vida, para arrependermo-nos e penitenciarmo-nos de nossas infidelidades, incoerências, egoísmos, erros, maldades, enfim, de todos os nossos pecados.

Na oração para a celebração do Grande Jubileu, o Papa reza:

“Concede, ó Pai, que os discípulos do teu Filho, purificada a memória e reconhecidas as próprias culpas, sejam uma só coisa, para que o mundo creia”.

Para frente, na renovação firme e decidida do nosso compromisso com Deus, dos nossos propósitos de bem, da nossa adesão total a Jesus Cristo, do nosso empenho para vivermos, com o auxílio da Graça divina, uma vida reta, pura e santa, na fiel e perseverante observância dos Mandamentos de Deus, do nosso serviço ao Reino de Deus.

Mas, a profunda reflexão à qual o Jubileu nos convida, levar-nos-á não somente ao arrependimento e ao pedido de perdão pelos pecados.

Será também ocasião de gratidão e regozijo por tudo de bom que aconteceu, por todo o bem feito, pela santidade de inúmeros filhos e filhas de Deus e da Igreja, pela presença e ação misericordiosa e providente de Deus, que apesar dos desatinos humanos conduz a História rumo à realização plena do seu Reino.

Será ocasião de esperança, de olharmos para o futuro e para ele nos dirigirmos “segurando na mão de Deus”, mão que tudo pode e tudo contém.

“O Ano Santo é tempo de purificação: a Igreja é santa porque Cristo é a sua Cabeça e o seu Esposo, o Espírito é a sua alma vivificante, a Virgem Maria e os Santos são-lhe a manifestação mais autêntica. Os filhos da Igreja, contudo, conhecem a experiência do pecado, cujas sombras se refletem sobre ela, obscurecendo a sua beleza. Por este motivo a Igreja não cessa de implorar o perdão de Deus para os pecados dos seus membros” (Da alocução mariana de João Paulo II em 12/03/2000 - L’Osservatore Romano de 18/03/2000).

“Maria, Mãe do perdão, ajuda-nos a acolher a graça do perdão que o Jubileu nos oferece em abundância” (Da Homilia de João Paulo II em 12/03/2000 - L’ Osservatore Romano de 18/03/2000).