O SENHOR DOS MILÊNIOS
1. "Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, ..." (Gálatas 4,4).
Esta afirmação do apóstolo São Paulo orienta os nossos corações para o Mistério vivo de Cristo Jesus, Filho eterno do eterno Pai, feito carne e vindo ao mundo, ao tempo humano, para a Salvação dos homens.
Com a sua Encarnação, completou-se o tempo das preparações e, começou o tempo do cumprimento das promessas messiânicas.
O Deus eterno assumiu o tempo como dimensão própria e, irmanou-se com os homens, suas criaturas.
Falando da sua vinda no tempo, Ele mesmo afirma:
"Eu vim para que as ovelhas tenham a vida, e para que a tenham em abundância" (João 10,10b).
2. Natal do Senhor!
Ajoelhamo-nos diante do presépio e, contemplamos o Menino de Belém.
Pôr detrás da sua frágil aparência contemplemos e adoremos o Deus eterno e todo-poderoso, Criador do céu e da terra, Senhor do tempo e da História.
Ele é o ápice, o ponto culminante de toda a História da Salvação.
Graças a Ele, ela pode chegar a bom termo na glória e na Casa do Pai.
Assim reza o Papa:
"Nesta noite (noite de Natal), o tempo abre-se ao eterno, pois Vós, ó Cristo, nascestes entre nós vindo do alto. Do seio de uma Mulher, de todas a mais bendita, Vós viestes à luz, 'Filho do Altíssimo'. A vossa santidade santificou de uma vez por todas o nosso tempo: os dias, os séculos, os milênios. Com o vosso nascimento, fizestes do tempo um 'hoje' de salvação" (Da Homilia de João Paulo II na noite de Natal, 25/12/00 - L'Osservatore Romano de 30/12/00).
3. "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre" (Hebreus 13, 8).
Nós o reconhecemos como o único Salvador em todas as épocas, também para este nosso tão conturbado tempo, tão necessitado da Misericórdia Divina e do Senhorio de Jesus.
A este senhorio eterno e universal devem submeter-se os homens, os indivíduos, as famílias, as sociedades, as nações, para obterem finalmente a PAZ.
Convida-nos Jesus:
"Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus 11,29-30).
Importa, precisamente no coração deste nosso tempo, redescobrir profundamente a presença daquele que veio visitá-lo trazendo-nos a Salvação.
Ele inseriu-se no interior do tempo e do espaço, daquele tempo e espaço habitados por nós, nos quais vivemos, sofremos, trabalhamos, alegramo-nos e choramos, nos quais morremos, deixando a cena deste mundo.
É Ele quem dá sentido a tudo!
Porque Deus veio ao mundo e viveu a nossa vida humana, semelhante a nós em tudo, menos no pecado, vale a pena viver.
O Papa João Paulo II ensina que:
"O Filho insere-se no interior do tempo e do espaço como o centro vivo e vivificante que dá sentido definitivo ao fluir da História, salvando-a da dispersão e da banalidade" (Da Catequese de João Paulo II na Audiência Geral de Quarta-Feira, 09/02/00 - L'Osservatore Romano de 12/02/00).
4. "O anjo então lhes disse: 'Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!" (Lucas 2, 10-11).
Este convite angélico para não temer e este anúncio de grande alegria para todos atravessa os tempos, conservando uma perene atualidade.
Que ele ressoe nos nossos corações tantas vezes entristecidos pelas tribulações da vida e temerosos pelos perigos que pairam sobre o mundo.
Que ele ressoe dentro de nós e nos desperte mais uma vez para a grande certeza de que "..., Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele" (João 3,16-17).
5. "Homens e mulheres do terceiro milênio, a todos se destina o dom pascal da luz, que põe em fuga as trevas do medo e da tristeza; a todos se destina o dom da paz de Cristo ressuscitado, que quebra as cadeias da violência e do ódio. Redescobri hoje, com alegria e admiração, que o mundo deixou de ser escravo de acontecimentos inelutáveis. Este nosso mundo pode mudar: a paz é possível mesmo em lugares onde há demasiado tempo se combate e morre,..." (Da mensagem de João Paulo II na Páscoa de 2001, 15/04/01 - L'Osservatore Romano de 21/04/01).
Este nosso mundo pode mudar!
Graças a Jesus, SENHOR DOS MILÊNIOS!
